domingo, Outubro 19, 2014

DESENCONTRO



Busco-te
nas madrugadas insones,
na claridade radiosa das manhãs,
ao sol do meio dia,
quando as sombras são curtas,
quase inexistentes.

Busco-te
nas tardes que declinam serenas
numa explosão de cor
e embriago-me na profusão
de  laranjas e vermelhos
que se entrelaçam
numa dança fluida e sedutora.

E nesse torpor extático,
Mergulho no mais profundo de mim
e aquieto-me,
pois é lá que afinal
te encontro,
lá, onde te guardo desde sempre
e onde te perco,
se no escuro te desencontro.

Tomada pela inquietação
que a tua ausência me provoca,
percorro o reverso de mim
e recomeço a minha busca incessante
numa madrugada sem fim.


sábado, Outubro 04, 2014

DEPOIS DO SILÊNCIO


Um silêncio pesado
deixa-me fatigada,
frágil,
desligada.
Mas a tua lembrança
Chega como um rumor,
Faz-se zumbido
Até que um grito irrompe
E rasga a quietude
Da minha boca amordaçada.

E as palavras nascem
A medo e soletradas.
Fazem-se muitas
E tornam-se alinhadas.
Escrevem o teu nome,
Ganham ritmo e asas
e partem com o vento,
soltas e apressadas,
como um bando de pássaros
em busca de alimento.

Imagem colhida na net

quinta-feira, Maio 15, 2014

NA TUA BOCA




Na tua boca adivinho
Tudo aquilo que não digo:
Amor, amar, água, pão,
Beijos, rosas e rios,
Leito, riso, esplendor,
Um cais, um barco
E o nosso amor.

No teu peito, um coração.
No meu, uma nascente
Onde a loucura mora
E o sol empalidece,
Onde a vida se renova
E a palavra amadurece
Como criança inocente.

Tu e eu somos só um,
Somos chão e somos mar,
A luz branca duma lua,
Somos voz duma guitarra,
No aconchego de uma ilha,
Somos rio que se desgarra
Num caudal de maravilha.


Foto encontrada na net 

quinta-feira, Janeiro 30, 2014

ALIENAÇÃO

Sonhei
que um dia me trarias
na tua mão a lua
para que nunca mais
houvesse entre nós
escuridão.
Esperei,
sem nunca duvidar,
que um dia
veria a ternura
inundar o teu olhar
quando no escuro,
buscasses a luz do meu,
para te guiar.
Acreditei,
que para ti
era uma ilha
que escolheras para morar,
uma ilha
onde aportavas, cada dia,
voando como um pássaro
sobre o azul do nosso mar.

Mas a lua continua
longe e indiferente
e a sua luz tão fria
não rompeu a escuridão.
Faz lembrar o teu olhar
quando olha para mim
sem sequer me vislumbrar.
E a ilha
que eu julgava ser
não passava de ilusão.
Não tinha margens nem chão,
Era apenas e somente
fruto de alienação.

domingo, Novembro 24, 2013

AS PALAVRAS


de Eugénio de Andrade:

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho, apenas.

Secretas, vêm, cheias de memória.
Inseguras, navegam:
barcos ou beijos, as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem 
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Imagem colhida net


quarta-feira, Outubro 30, 2013

DE SAUDADES E DE VIDA


DE SAUDADES E DE VIDA

Tenho saudades da vida
Da vida que me perdeu
Ou que em mim andou perdida
Rasgando-me o corpo e a alma
Em busca de uma saída.
Deixou-me uma cratera no peito
Onde me escondo ao deitar
Num leito feito de sombras
Por onde passam lembranças
Que eu teimo em não recordar.
Há um perfume de ternura
de um amor que não vingou
há palavras decepadas
num verso que não  rimou.
E há a saudade que morde
Com um toque de amargura.


Imagem obtida na net

terça-feira, Junho 18, 2013

O MAR POR COMPANHIA



O MAR POR COMPANHIA

Tinha o mar por companhia
e o céu como horizonte.
Estava aberta aos sons cadenciados e ondulantes
das vagas altas que aos meus pés morriam
e os meus sentidos despertavam
quando a espuma branca me tocava
e a pele me estremecia.

Tinha ânsia de partir
e uma vontade escondida de ficar
na esperança que voltasses
atraído pelo cheiro desta saudade rasgada
que no meu peito ficou
depois da tua partida.

Oiço o grito derradeiro
que uma gaivota desenha
no seu voo solitário
riscando o sol que mergulha
e num mar de luz se apaga
enquanto a tua imagem
se acende em mim
como um braseiro. 


Imagem colhida na net

Rosas

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