quarta-feira, outubro 07, 2015

COMO UM MANTO DE RAINHA


TEIA DE LEMBRANÇAS

Nesta teia de lembranças
que me veste, como um manto,
há mil pedaços de ti,
boiando, num mar de pranto.
Há também rumor de beijos,
afagos, risos e vozes
vindos de muito longe,
sussurrando-me ao ouvido
palavras quase esquecidas.

É um manto colorido
com um brilho quente, de fogo.
Mas há nele algumas manchas
que simbolizam ausências,
longas, tristes, doloridas.
Há saudades rendilhadas
nessa teia de lembranças,
tecida por minhas mãos
e pelas memórias, também.

Cobre-me até aos pés
como um manto de rainha.
De fora, a cabeça erguida
e uns olhos escurecidos
só pra ver nascer o sol
dia a dia, sempre à espera
da esperança renascida.

Imagem colhida na net.



segunda-feira, setembro 21, 2015

A VIDA INTEIRA



Relembrando...

NAS CURVAS DO POEMA

Nas curvas do poema,
o amor insinua-se como a luz da lua
e desliza nas palavras
até chegar ao novo verso,
que por ser novo se entrega por inteiro
nas mãos do poeta controverso,
que ora o enfeita com as cores da aurora,
ora o faz triste,
como uma manhã de nevoeiro.

Nas curvas do poema
cabem palavras como o azul do mar
e o barco verde que o navega,
cabem o céu e os pássaro que lá moram, 
também a luz do sol que nos aquece,
o rio que lava a terra da desgraça,
a noite negra que antecede o dia,
o vento que sopra e nos devassa,
a mulher que chora, porque a vida a ludibria
e a flor que morre, para que o fruto nasça.

Nas curvas do poema
cabe a vida inteira,
a tua e a minha
e também aquela 
que estiver à beira.

Imagem colhida na net

quarta-feira, agosto 19, 2015

EM CONTRAMÃO






Naquela mão cerrada
Meia dúzia de lembranças
Que não quer deixar fugir
E na garganta estrangulada
Um enxame de palavras
Que lutam para emergir.

Dentro dela um coração,
Que numa luta de gigantes,
Entre continuar a ser
E a vontade de morrer,
Bate louco, estilhaçado,
E caminha em contramão.

Imagem colhida na net

sexta-feira, julho 24, 2015

ESTE MAR



Frente a este mar
que a meus pés se enrola
no mais doce marulhar,
os meus olhos azulam-se
de tanto o contemplar,
e sonho que sou pássaro.
Solto os medos
que me impediam de voar,
abro os braços
e sem temer a queda,
voo por entre
os sons do vento
que me sustenta e leva,
ao ritmo do acaso,
por esse infinito azul
que  confunde o céu e o mar.

Sinto a areia mais dura
e um desejo que perdura
de manhã, ao acordar.

Foto encontrada na net.


domingo, março 08, 2015

PARA TI, MULHER

 MULHER


Mulher,
Nasceste para ser asa
Ou uma simples flor,
Mas a sorte fez-te casa,
Fez-te arrumo,
Fez-te colo,
Colo que dás na desgraça,
Na alegria ou na dor,
Tu és alguém que te entregas
Por dentro e também por fora,
Sem receberes nada em troca.
Tu és rochedo que sente,
Que ri, que sofre e que chora,
Tu és presença constante
Onde e quando alguém te chama.
Tens o dom de gerar vida
Que alimentas no teu seio
E cuidas, estremecida,
Até a soltar no mundo
Para de alguém ser arreio.

Porquê então te maltratam
Te magoam e te batem
Para deixares de ser quem és?
Deixas de ser rochedo
Para ser apenas medo
E morres devagarinho
Em absoluto desrespeito
Até acabares de vez
Com uma facada no peito.


Foto encontrada net

segunda-feira, novembro 03, 2014

COMO UM BÚZIO


Sou como um búzio na areia
Pintalgado de incertezas
E prenhe de sons longínquos
Que me veem das memórias
Das vidas que já vivi
E amanhã talvez seja
Uma vela solta ao vento,
Correndo célere no mar,
Enfunada pela esperança
De no teu cais aportar.

Mas um dia sei que vou ser
Uma casa toda branca
Aberta de par em par
Aos sons e cheiros trazidos
Pela brisa que vem do mar.
Nessa casa serei tudo:
Serei pedra de jardim
Onde flores brotarão,
Serei meu chão de lembranças,
Mil janelas que deixem o sol entrar.
Serei arquitecto dos sonhos
Que ainda quero realizar,
Serei porta sempre aberta
Se vieres para ficar.


domingo, outubro 19, 2014

DESENCONTRO



Busco-te
nas madrugadas insones,
na claridade radiosa das manhãs,
ao sol do meio dia,
quando as sombras são curtas,
quase inexistentes.

Busco-te
nas tardes que declinam serenas
numa explosão de cor
e embriago-me na profusão
de  laranjas e vermelhos
que se entrelaçam
numa dança fluida e sedutora.

E nesse torpor extático,
Mergulho no mais profundo de mim
e aquieto-me,
pois é lá que afinal
te encontro,
lá, onde te guardo desde sempre
e onde te perco,
se no escuro te desencontro.

Tomada pela inquietação
que a tua ausência me provoca,
percorro o reverso de mim
e recomeço a minha busca incessante
numa madrugada sem fim.


Rosas

Rosas
Especialmente para ti, amigo visitante

Arquivo do blogue